Proteínas: uma breve introdução

Proteínas: uma breve introdução

Existem muitos mitos em torno do consumo de proteínas, um destaque especial para o caso de pessoas que não consomem nada de origem animal. É de senso comum que boas fontes de proteínas seriam produtos de origem animal, ou até mesmo que estas fontes seriam superiores às fontes de origem vegetal. Na verdade, não é bem assim. Muitas histórias fantasiosas foram sendo criadas em torno do termo proteína; partes fundamentadas pela ciência e partes um tanto quanto distorcidas.

O termo proteína apareceu pela primeira vez em um artigo escrito em 1838 por Gerard Johannes Mulder, um químico orgânico holandês. Na verdade, o termo parece ter sido ideia de Johns Jakob Berzelius, um outro químico, este sueco, que teve grande contribuição para a estruturação da atual notação química que conhecemos. O interessante desta história toda é que desde o primeiro artigo escrito sobre proteínas, Mulder foi capaz de descrever que:

“Este é o alimento de todo o reino animal e provavelmente é formado apenas por plantas.”

Bingo! Eis que no primeiro artigo relacionado a proteína o autor já sabia de algo que hoje, em pleno 2017, ainda é alvo de muita desinformação e confusão. Sim, toda a proteína dos animais é originária das plantas. Somente as plantas conseguem aproveitar o nitrogênio do ar e assim incorporá-lo para formar os aminoácidos e estes originam as proteínas. Mas o que são proteínas?

As proteínas são macro-moléculas formadas por aminoácidos, produzidos sempre pelas plantas. Imagine um muro como este da imagem, o muro seria uma proteína e os aminoácidos são os tijolos deste muro. Isto é somente uma analogia apenas para se poder entender melhor a questão dos aminoácidos e proteínas. As letras que você vê no muro é uma forma convencionada de representação dos aminoácidos. No nosso corpo para que possamos produzir todas as proteínas necessárias para o seu bom funcionamento necessitamos de 20 tipos diferentes de aminoácidos. Destes 20 alguns nosso corpo consegue produzir e outros não (na verdade a história é um pouco mais complicada, mas vamos simplificar deste modo). Os aminoácidos que nosso corpo produz são chamados de aminoácidos não essenciais e aqueles que precisamos obter através da alimentação são os aminoácidos essenciais, são eles 9 aminoácidos: valina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, treonina, triptofano e histidina.

Nomes complicados a parte, estes aminoácidos são encontrados tanto nos vegetais, quanto em produtos de origem animal. A diferença é que nos produtos oriundos de animais, nós podemos ingerir proteínas já estruturadas como às que o nosso corpo produz. Isto é, nos vegetais comemos os tijolos e com alimentos animais já comemos os muros. Seria então melhor comer diretamente os muros? Afinal assim nosso corpo não precisaria construí-los. Certo? Não. O corpo humano ao ingerir uma proteína a quebra em aminoácidos. Ele sempre quebra. Exatamente, não adianta consumir colágeno e pensar que este colágeno vai direto para pele. Não é assim que funciona. O corpo tem as suas próprias prioridades para a manutenção do metabolismo. Sinto dizer que aquele suplemento de colágeno talvez não seja tão útil assim. O corpo humano irá quebrar as proteínas em aminoácidos e irá utilizá-los conforme a demanda, de acordo com as suas próprias decisões. Mas há diferenças entre consumir proteína de origem vegetal e proteína de origem animal? Certamente. O balanço de aminoácidos difere entre fontes vegetais e fontes de origem animal. Além do mais, os alimentos não são formados somente de proteínas, há outros macro e micronutrientes envolvidos e isto com certeza é muito diferente se a fonte for vegetal ou animal. Mas vamos destrinchar este assunto em outros artigos.

Talvez este papo de muro não tenha te convencido muito e você queira ver uma visão um pouco mais realística do que seria uma proteína. Coloquei aqui uma imagem do meu Projeto Final de Curso, onde por modelagem e simulação computacional fizemos a predição da estrutura tridimensional da enzima yDHFR da peste bubônica. Uma enzima nada mais é uma proteína que “agiliza” reações no nosso corpo, digamos que ela torna a vida do nosso metabolismo mais fácil, na realidade factível. As proteínas também podem ter função estrutural, de defesa (anti-corpos), regulação da atividade de órgãos, participam da contração muscular e muito mais. Elas são realmente importantes para a existência da vida no planeta. Se são tão importantes, penso que seja natural o medo de que nos falte.

Voltando então à preocupação de deficiência proteica em uma alimentação vegetariana. Primeiramente, tenha em mente que a deficiência de proteínas é uma condição muito rara que atinge somente cerca de 3% da população. As pessoas deficientes geralmente possuem uma alimentação extremamente restrita em termos calóricos. Um artigo (3) analisou em torno de 70 mil pessoas, das quais em torno de 5 mil eram vegetarianas estritas. Os demais foram divididos em grupos de ovolactovegetarianos, pescetarianos, semi-vegetarianos (cuma?) e não vegetarianos. Neste estudo, verificou-se que todos os grupos obtinham muito mais proteínas que o necessário. Inclusive os veganos! De fato, os veganos consumiam em média 70% a mais que a recomendação diária de aminoácidos. Vemos então que a deficiência de proteínas não é um problema no veganismo. E o que seriam fontes de aminoácidos em uma alimentação vegetariana? Boas fontes de aminoácidos essenciais são as leguminosas. Quem diria que o nosso tão querido arroz com feijão brasileiro seria um prato tão nutritivo e rico de aminoácidos essenciais, não é mesmo? É claro que as quantidades devem ser ajustadas caso a caso, de acordo com os gastos calóricos e o metabolismo de cada um. Para uma análise mais específica e individualizada procure um nutricionista com entendimento em alimentação vegetariana e que respeite as suas escolhas. O Portal Vista-se fez uma lista de profissionais aqui.

(1) The Origin of the word protein

(2) Introduction to Human Nutrition 2nd Edition – Michael J. Gibney

(3) Nutrient Profiles of Vegetarian and Nonvegetarian Dietary Patterns

(4) Estudo por Modelagem Molecular da DHFR de Yersinia pestis – Morena Bertuzzi e Cesar Matos.

(5) http://nutritionfacts.org/video/do-vegetarians-get-enough-protein/

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2 pensamentos sobre “Proteínas: uma breve introdução”

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